Sábado, 12 de Março de 2011

O Petróleo dos Açores

 

Como viram no role play da última aula de Inglês, não sou muito festivo no Carnaval. Prefiro o sol para essas celebrações. Com o frio (e a neve da minha terra), prefiro a lareira, tragando calmamente um belo vinho tinto, desfrutando a minha música e os meus livros, ou passando calmamente a vista pela imprensa, bebendo o meu café amargo pela manhã.

Descobri, 2a feira, na belíssima cafetaria da Biblioteca de Ponta Delgada, enquanto garfava a meias com o meu enteado mais novo uma extraordinária e generosa tarte de chocolate com um Gorreana, uma revista aqui da terra bem interessante. Ele lia revistas de Surfistas, eu a Açorianissima. Aqui fica para discutirmos o assunto num intervalo próximo.

Saudações RTIATianas,

 

Pedro Fonseca.

 

Até os técnicos estão surpresos com as grandes produções num ensaio em São Gonçalo: Açorianos podem ficar ricos a produzir amoras

[Regional]

 

A produção de amoras em São Miguel vai ser a mais rentável de entre as culturas tradicionais na agricultura açoriana. Os resultados de um ensaio de produção nos Serviços de Desenvolvimento Agrário, em São Gonçalo, são surpreendentes até para os técnicos. Eles não têm dúvidas quando afirmam que um agricultor açoriano que tenha, por exemplo, uma quinta com citrinos, bananas e outras frutas, se tiver na mesma exploração agrícola uma cultura de amoras, ela será muito mais rentável do que as outras. Basta saber que, no ensaio, se produz 14 toneladas de amora por hectar e que 125 gramas de amoras estão, nas grandes superfícies comerciais a cerca de 5 euros. É só fazer as contas. E pode haver excesso de optimismo em toda esta avaliação? Pelo que nos foi dado a ver, estamos convictos de que não.


Os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel estão a desenvolver um ensaio nos terrenos de São Gonçalo com uma plantação de amora que está a ultrapassar todas as expectativas. Ao fim de três anos, os técnicos estão a obter 14 toneladas de amora por hectar que, ao preço de consumo, pode representar por hectar um valor próximo do meio milhão de euros.
As contas são simples de fazer. Nas grandes superfícies comerciais de São Miguel podem adquirir-se pequenas caixas de amoras de 125 gramas a cerca de cinco euros o quilo, o que representa 40 euros por quilo. E, pronto, 14 mil quilos a 40 euros, são 560 mil euros. É claro que este é o preço de consumo e o agricultor deverá vender a sua produção a um preço a um preço inferior.

“Uma agradável surpresa”
Carlos Santos, director dos serviços Fitosanitários, assume claramente que a cultura das amoras no ensaio que estão a desenvolver tem sido, de facto, “uma agradável surpresa”. Acrescenta que, “contrariamente àquilo que estávamos à espera, embora precisem de horas de frio, elas dão-se muito bem na zona onde as temos e temos produções tão boas ou melhores do que nos Estados Unidos”. 
Esta é uma cultura que tem uma longevidade entre 10 a 15 anos. Tem o seu pico de produção a partir do quarto ano e, depois, as produções vão em escala ascendente até aos 10 anos. A partir daí, as produções começam a declinar até aos 15 anos.
Carlos Santos não tem dúvidas de que a amora “é um fruto com uma rentabilidade enorme” nos Açores. Exige um custo inicial da instalação da cultura, como as vedações e rega. Mas, depois, pela longevidade da cultura, estes custos vão-se diluindo. A produção, mesmo nos primeiros anos e a partir do segundo ano, suporta o custo de instalação. “Por isso, é uma cultura altamente rentável”, reforça o técnico.
Refere que o mercado açoriano “não está habituado a este tipo de amora. Mas, na visita pelas grandes superfícies, todas elas apresentam mirtilos, amoras e framboesa. É uma amora sem espinhos, parece até amoras da silva mas não são. São muito maiores. São frutas com grande potencialidade na Região, completa.
Carlos Santos vai mais longe ao sublinhar que uma plantação de amora numa quinta ou numa exploração agrícola proporciona ganhos de produtividade muito mais elevados do que qualquer outra cultura.
“Nenhum de nós deve correr o risco de viver exclusivamente de uma produção de amoras. Agora, não temos dúvidas nenhumas que no meio de uma actividade agrícola de um indivíduo que tenha uma quinta e/ou se dedique à agricultura, se tiver mais esta cultura com alguma dimensão, ela é mais rentável do que qualquer outra que ele possa lá ter”, sublinha.
“Basta ver as produções e o preço por quilo produzido. Não tem nada a ver com laranja, a banana e outras culturas tradicionais. E há sempre mercado para colocar estes produtos. São consumidos em fresco, em compotas ou iogurtes. Obviamente que o consumo da amora em fresco é muito mais rentável”, palavras de Carlos Santos que tem visitado explorações destes pequenos frutos em Portugal continental, cujas produções são colocadas, quase exclusivamente, no mercado externo como Inglaterra e EUA.

Amora é mais rentável
que bananas e laranjas

Como surgiu a possibilidade de desenvolver ensaios da cultura de amora, mirtilos e framboesas em São Miguel? A questão também não é difícil de entender. Os serviços de Desenvolvimento Agrário partem da necessidade de criar alternativas à agricultura tradicional da Região e de que é importante divulgar estes pequenos frutos que estão a proliferar por toda a Europa.
À partida, estes pequenos frutos ou pequenas bagas como os mirtilos, as amoras silvestres, as framboesas, e as groselhas, têm uma série de potencialidades, nomeadamente um grande poder antioxidante. Carlos Santos recorda, a propósito, as descrições históricas de que os pilotos da segunda guerra mundial comiam bastantes mirtilos pelos seus alegados poderes para a capacidade da visão. 
Mas, como adianta o técnico, “não foi por este intuito” dos serviços oficiais. Na verdade, repete, “continuamos a considerar que é importante criar alternativas à agricultura tradicional, criando mais-valia na exploração agrícola”.
“Temos nos Açores laranjas, bananas, ananás, temos algumas produções mas que não estão ou bem desenvolvidas, ou bem rentabilizadas, e os agricultores, às vezes, têm dificuldade em colocar estes produtos no mercado. E eles têm potencialidades para fazer outras coisas”, argumenta Carlos Santos. 
Estes ensaios surgem no âmbito do acordo de cooperação entre Portugal e os Estados Unidos. Uma das áreas de projectos da cooperação bilateral é o incremento da fruticultura e o combate a algumas doenças. E, neste quadro, os serviços têm o apoio de algumas universidades americanas, nomeadamente, da Universidade do Hawai. 

Um grande apoio
dos americanos

Foi na troca de impressões com os investigadores americanos que se levantou a possibilidade de se fazerem ensaios na Região com estas culturas (mirtilos, amoras e framboesas).
E porque é surpreendente o êxito da produção da amora em São Miguel. Como explica Carlos Santos, estes pequenos frutos necessitam de horas de frio que não existem nos Açores que têm condições climatéricas muito próprias e diferentes das regiões da sua origem. 
Depois de estudadas todas as nossas capacidades, investigadores americanos e açorianos chegaram à conclusão de que, havendo uma série de variedades de plantas de mirtilos e amoras que exigem menos horas de frio que outras, elas poderiam ter êxito na Região.
Nesta perspectiva, os americanos arranjaram algumas variedades menos exigentes em horas de frio e iniciaram-se as experiências a ver quais as culturas que vingavam.
“No meu entender”, explica Carlos Santos, “devem ser os serviços oficiais a desenvolver estas experiências, a dar início a estas actividades e, depois, se houver resultados minimamente bons, devem ser divulgados junto dos agricultores”. 
Está convicto de que os agricultores “não devem partir à aventura e começar a fazer coisas destas porque, se não der certo – e numa situação económica tão periclitante como a que vivemos – será pior a emenda do que o soneto”. 
Já os ensaios com os mirtilos, até agora, - e dada a grande necessidade que têm de horas de frio – não têm alcançado o mesmo êxito que as amoras mas, num campo experimental das Furnas, já se atingirem produções com algum relevo.
Apesar disso, mesmo utilizando variedades com poucas horas de frio, verifica-se que, das variedades todas que se procurou introduzir, há duas ou três que podem dar boas produções minimamente rentáveis nos Açores. 
E os técnicos não vão ficar por aqui em relação aos mirtilos. Uma empresa multinacional está a plantar uma determinada variedade de mirtilo em Huelva, no Sul de Espanha, pouco exigente em horas de frio e está praticamente assente que a Região vai adquirir três mil destes mirtilos para um campo de ensaio em São Gonçalo para testar se vinga em São Miguel e no arquipélago.
E as framboesas são culturas que, precisando também de frio, têm alguma dificuldade de vingar na Região. No primeiro ano em que se instalou o ensaio obteve-se uma produção normal. Já este ano, dadas as condições do Inverno passado, a produção não foi muito boa. “Mas”, sublinha Carlos Santos, “estamos convictos de que por daqui a dois a três anos, a situação se vai estabilizar”. 
A palavra aos agricultores

Apesar dos resultados bons da amora e não tão bons com os mirtilos e como as framboesas, “nós vamos continuar a apostar e vamos prosseguir os trabalhos para tirar conclusões no final”, conclui o técnico. 
E quando os ensaios estiverem concluídos, o objectivo é divulgá-los aos agricultores, promovermos um dia aberto para se mostrar o que se tem feito. 
“A nossa preocupação é instalar, conduzir a cultura, ver como é que ela se comporta e, depois, com alguma capacidade e com algum conhecimento da cultura, fazer estes ensaios ao longo de quatro a cinco anos. E, ao fim de cinco anos, dizer o que fizemos e quais os resultados a que chegamos”.
O nosso objectivo é a divulgação do trabalho que desenvolvemos. “E, para já, temos consciência que a cultura da amora dá dinheiro em São Miguel”, termina.

Autor: João Paz


http://www.correiodosacores.net

 

  

música: A Minha Casa no Campo, de Ellis Regina
publicado por rtiatpovoacao às 14:40
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