Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

Tanto Mar, de Chico Buarque

 

Não querendo deixar em branco esta data, que o tempo e as circunstâncias vão tornando menos celebrada, fui ao baú de memórias escolher algo poirento. Não foi preciso ir muito longe. Um documentário recente de Sérgio Tréfaut mostra como o 25 de Abril foi sentido e vivido pelo mundo fora. Surge-nos então o arquitecto-cantor-poeta, e agora também escritor, Chico Buarque a tratar-nos por "PÁ!". Uma delícia!

Ao mastigar a letra, e o contexto histórico brasileiro, que anexei em baixo, ocorre-me um título de um filme de Wim Wenders: "Tão longe... tão perto", que deu origem a uma readaptação em Hollywood "Cidade dos Anjos", com Nicolas Cage e Meg Ryan.

Mas, por agora, fiquem com este Brasil cinzento, com este lamento do Chico que, de tão "adoentado", não pôde vir a esta bonita festa dos cravos que, de tão pacífica, comoveu o mundo.  

 

 

 

  

"Tanto Mar" foi composta por Chico Buarque de Hollanda para homenagear o 25 de Abril de 1974, a Revolução dos Cravos, em Portugal.

Enquanto o Brasil completava uma década (das duas que viveu) sob o regime da ditadura, em Portugal, o Estado Novo ditatorial instituído por Salazar (à época comandado por Marcelo Caetano) era derrubado.

Nesta gravação de 1978, Chico explica porque "Tanto Mar" foi censurada no Brasil e o que lhe levou a compor duas versões para a canção. 

A versão original foi editada em Portugal, e exalta a vitória dos portugueses. Na segunda (vídeo), Chico considerou a mudança de contexto e estrutura política e fez uma nova leitura dos acontecimentos.

Versão 02, liberada pela censura:

TANTO MAR
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim


Primeira Versão, censurada:

TANTO MAR
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente algum cheirinho
De alecrim

 

publicado por rtiatpovoacao às 02:54
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